Quando comecei a cantar não fazia a mínima ideia que poderia algum dia fazer carreira disso.
Comecei com a música aos 5 anos e sempre foi uma arte que me moveu de uma forma particularmente profunda. Como nada mais me movia... Literalmente...
Quando me disseram que não tinha sido aceite para cantar e tocar no piano, a música "Nha Vida" da Lura no concerto de final de ano, que por acaso era meu ano de formação na Escola Nacional de Música em Maputo, assumi que o canto com certeza não era algo que iria tomar qualquer lugar em minha vida. Poderia até tentar investir um pouco mais no piano... mas a minha disciplina era tão ruim, que a evolução no instrumento, simplesmente não se fez presente.
Bom, me conformei, fiz paz com isso e avancei na vida.
Bom, me conformei, fiz paz com isso e avancei na vida.
Até que fui convidada a cantar para a Ndzilo, uma banda que estava se formando e que tocava um estilo diferente do que eu estava habituada a ouvir mas que me agradava bastante. Afrojazz é o nome o qual se chamava. Fazendo um dueto com uma menina, cantávamos músicas autorais em português e changane, faziamos coreografias para as músicas, criávamos trajes artísticos e diferentes para as nossas apresentações em jantares, bares, concursos, etc. Seguimos juntos durante cerca de 3 anos.
A minha auto estima como cantora foi se construindo... mas sem grandes expectativas. Só porque era legal mesmo, dançar e me divertir em frente das pessoas, no palco, sem ser chamada de louca… :)
A sensação de liberdade de ser quem eu queria ser naquele momento, sem cobranças, metas, expectativas era muito legal!! Então continuei…
A sensação de liberdade de ser quem eu queria ser naquele momento, sem cobranças, metas, expectativas era muito legal!! Então continuei…
Mais tarde, a banda se separou e eu continuei… fluidamente. Me reconhecendo nesse lugar… até que vi que não conseguia mais "não brincar de me divertir em frente das pessoas sem ser chamada de louca"!!
Era muito boooom!!! Estar no palco, cantar para as pessoas...
Me apercebi que podia fazer isso de jeitos diferentes. Então investi nessa vontade, e organizei durante os anos seguintes apresentações minhas com banda, usando instrumentistas e formações diferentes. Fiz parcerias e fui bebendo da arte que me chegava e rodeava. Experimentei dos mais variados estilos musicais, nos mais variados tipos de eventos, explorando criações minhas, músicas de outros com as quais me identificava. Enfim, descobrindo e reconhecendo minha autenticidade.
Quando larguei a faculdade de Ciências Biológicas, 5 anos depois, sem avisar aos meus pais,
para seguir música como carreira, estava completamente sem a mínima ideia de por onde deveria começar, mesmo já tendo uma caminhada caprichada. Seguindo, então o conselho da mana Tina, fui aprender com quem já fazia isso há 30 anos. Fui então fazer backing vocal para o Stewart Sukuma e sua banda durante um ano e meio, com quem fiz algumas viagens pela europa e brasil além de ter tocado em várias casas de pasto em Maputo.
Esse era um lugar que não gostava muito de estar, na verdade, porque acreditava que as habilidades criativas do indivíduo eram menos exploradas e/ou valorizadas. Sempre gostei de liderar e estar à frente para fazer as coisas acontecerem.
Acontece que estava enganada!! Pois foi neste lugar onde mais tive espaço emocional e criativo para investir despretensiosamente nas minha aspirações e inspirações. Além de poder aprender a arte de ser profissional e de dar valor aquilo que se ama. Ao estar fora de destaque, pude ME dar espaço para descobrir e reconhecer a minha voz, vê la como um instrumento de trabalho e como ferramenta importante e vital para minha expressão e comunicação com o mundo. Pude entrar em contato com as diferentes dinâmicas que poderiam ser construídas com o uso da voz e como ela pode ocupar lugares e funções diferentes em diferentes situações. Isso aumentou em 100% os pontos da voz como meu instrumento favorito. ;)
para seguir música como carreira, estava completamente sem a mínima ideia de por onde deveria começar, mesmo já tendo uma caminhada caprichada. Seguindo, então o conselho da mana Tina, fui aprender com quem já fazia isso há 30 anos. Fui então fazer backing vocal para o Stewart Sukuma e sua banda durante um ano e meio, com quem fiz algumas viagens pela europa e brasil além de ter tocado em várias casas de pasto em Maputo.
Esse era um lugar que não gostava muito de estar, na verdade, porque acreditava que as habilidades criativas do indivíduo eram menos exploradas e/ou valorizadas. Sempre gostei de liderar e estar à frente para fazer as coisas acontecerem.
Acontece que estava enganada!! Pois foi neste lugar onde mais tive espaço emocional e criativo para investir despretensiosamente nas minha aspirações e inspirações. Além de poder aprender a arte de ser profissional e de dar valor aquilo que se ama. Ao estar fora de destaque, pude ME dar espaço para descobrir e reconhecer a minha voz, vê la como um instrumento de trabalho e como ferramenta importante e vital para minha expressão e comunicação com o mundo. Pude entrar em contato com as diferentes dinâmicas que poderiam ser construídas com o uso da voz e como ela pode ocupar lugares e funções diferentes em diferentes situações. Isso aumentou em 100% os pontos da voz como meu instrumento favorito. ;)
Este foi o lugar que me permitiu investir em aprofundar na minha criatividade e autenticidade.
Me fiz perguntas como: O que mais há para descobrir desse (meu) universo??? Que mais dá para fazer??? Onde posso chegar??
Me fiz perguntas como: O que mais há para descobrir desse (meu) universo??? Que mais dá para fazer??? Onde posso chegar??
Desde então, comecei a observar e a listar as minhas habilidades como artista. Recorri aos meus mestres para buscar inspiração nesse processo.
"Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece!"
Bobby Mcferrin conta em suas entrevistas que, quando ele quis investigar-se para descobrir quem ele era artisticamente, parou de escutar cantores durante uns dois anos, (não literalmente, claro, porque é impossivel) e se trancava num quarto, ligava o gravador e improvisava durante 10 minutos (no mínimo), sem parar.
Este é um exercício que gera MOVIMENTO e FLUXO CRIATIVO!! "Auto cavucação"!!
Se descobrir e se reconhecer no que você encontra e estimular a CORAGEM de continuar!!
Este é um exercício que gera MOVIMENTO e FLUXO CRIATIVO!! "Auto cavucação"!!
Se descobrir e se reconhecer no que você encontra e estimular a CORAGEM de continuar!!
Essa é uma teoria que se aplica facilmente no nosso dia a dia. Se Observar, Cavucar, Reconhecer, Experimentar, Explorar, Fluir, Reciclar... Senão a gente morre!! De espírito, energia vital, mente e corpo físico!
(…)
Escolhi viver assim o resto dos meus dias!!
Hoje! Aqui! Agora! Em São Paulo, há dois anos e meio longe da minha terra, longe da minha zona de conforto, vivo intensamente essa busca e colho seus frutos.
Hoje! Aqui! Agora! Em São Paulo, há dois anos e meio longe da minha terra, longe da minha zona de conforto, vivo intensamente essa busca e colho seus frutos.
Hoje, publico este blog, com muito AMOR e com muita ALEGRIA. Será um lugar onde irei (com) partilhar as vivências dessa "cavucação" de mim mesma: Humana, Mulher, Artista, Cantora, Estrangeira, Moçambicana, Cidadã do mundo, esperando que, nessa coisa de sermos únicos mas somos todos iguais- HUMANOS, você se descubra e se apaixone por sua própria AUTENTICIDADE!!
Sempre com leveza, fluidez e liberdade!! Se Cavucando e sendo feliz!!

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